
A catarinense Quick Soft, de tecnologia para antecipação de recebíveis, anunciou nesta terça-feira a compra da desenvolvedora de sistemas de gestão empresarial (ERP) Finanblue, com sede no Paraná, por valor não revelado.
Um dos objetivos do negócio é marcar posição no segmento de duplicatas, antes que essas transações migrem para o sistema eletrônico, previsto pelo Banco Central para entrar em vigor no final deste ano.
Especialistas da cadeia de crédito privado têm apontado que as duplicatas devem ser uma nova alavanca para o mercado de fundos de direitos creditórios (FIDCs).
Não há dados oficiais, mas profissionais do setor estimam que o centenário mercado de duplicatas movimente mais de R$ 10 trilhões por ano. Por meio dele, pequenos negócios oferecem recebíveis em troca de antecipação de recursos, normalmente para capital de giro.
Como ainda não existe uma estrutura centralizada de registro, um mesmo recebível pode ser oferecido a diferentes credores em troca de várias antecipações. Diante desse risco, os juros das operações são maiores.
Isso deve sumir com o advento da duplicata escritural, sistema unificado gerido pelo BC.
Esse horizonte vem promovendo intensa movimentação de fusões e aquisições entre empresas financeiras e de tecnologia que operam em recebíveis, refletindo a percepção de que escala, eficiência operacional e diversificação serão chave nesse mercado.
Entre elas, as grandes registradoras de recebíveis têm estado entre as mais ativas. A Núclea fechou parcerias com o birô de crédito Equifax e com a Mercado Recebíveis.
A B3 acertou a compra de 60% da registradora CRDC (Central de Registro de Direitos Creditórios). E a SPC Grafeno sinalizou que planeja ter sua própria escrituradora.
Segundo Rodrigo Eddine, co-CEO da Quick Soft, a fusão anunciada nesta terça-feira com a Finanblue nasce com uma carteira superior a 600 clientes no mercado de crédito estruturado, entre instituições de pagamento (IP), Sociedades de Crédito Direto (SCD), DTVM, securitizadoras e gestoras de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
Considerando todas as áreas de atuação, a Quick Soft movimentou mais de R$ 290 bilhões nos últimos 12 meses, número que beira os R$ 400 bilhões com a aquisição da Finanblue.
“Temos o objetivo de operar R$ 1 trilhão para nossos clientes em 2030″, afirmou Lucas Fiuza, também co-CEO da Quick Soft, em comunicado.
Claudiomar Damasceno, atual CEO da Finanblue, e Gustavo Lima, atual COO, seguem na operação.
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