
O ritmo recorde de pedidos de recuperação judicial (RJ) já comprometeu cerca de R$ 4 bilhões de reais em empréstimos feitos via crédito estruturado, incluindo os fundos de recebíveis (FIDCs) nos primeiros quatro meses de 2026.
O dado faz parte de um levantamento feito pela gestora Chimera Capital, especializada nos chamados créditos estressados, a pedido do Crédito Privado 360.
O estudo considerou 56 recuperações judiciais, cada um com valor mínimo de R$ 10 milhões em dívidas. No total, as RJs envolvem R$ 29,3 bilhões de credores. Os FIDCs apareceram em 1/4 dessas transações (14), com um total de R$ 3,8 bilhões.
A análise não incluiu os casos de recuperações extrajudiciais, como as pedidas por GPA e Raízen em março.
O Brasil registrou um recorde histórico de 2.466 empresas em recuperação judicial em 2025, segundo a Sera Experian, com tendência de alta em 2026.
| Empresa | Setor | Dívida na RJ | % da dívida com crédito estruturado |
| Oncoclinicas(+ 9 subsidiárias) | Saúde | R$ 3,2 bilhões | 91,4% (CRIs) |
| Alliança Saúde | Saúde | R$ 1,32 bilhão | 36,9% FIDCs |
| Root Brasil | Agronegócio | R$ 143,2 milhões | 35,1% FIDCs |
| Autem do Brasil (+ 4 filiais) | Agronegócio | R$ 47,1 milhões | 25,5% FIDCs |
| Rodoparaná | Transporte | R$ 386 milhões | 16,4% FIDCs |
| Grupo Alpha/Nova Noiva | Moda | R$ 41,3 milhões | 15,2% FIDCs |
| Provider Contact Center | TI | R$ 181,3 milhões | 13,5% FIDCs |
| Casa & Vídeo + Le Biscuit | Varejo | R$ 1,71 bilhão | 7,6% FIDCs |
| COTRIBÁ | Agronegócio | R$ 1,43 bilhão | 6,3% FIDCs |
| Grupo Hübner(8 empresas) | Moda | R$ 261,1 milhões | 4,7% FIDCs |
| Colorminas (SC Holding + 3 subs) | Mineração | R$ 226,3 milhões | 4,6% FIDCs |
| Xalingo | Brinquedos | R$ 58,8 milhões | 1,5% FIDCs |
| Barra Velha(+ 2 PF) | Indústria | R$ 36,35 milhões | 0,02% FIDCs |
Fonte: Chimera Capital
Saúde e agronegócio, RJs mais presentes em FIDCs
Como mostra a tabela, os emissores que mais atingiram credores de FIDCs ao pedirem recuperação judicial são dos setores de saúde (Oncoclinicas e Alliança) agronegócio (Root Brasil, COTRIBÁ), varejo (CVLB e Hübner) e transportes (Rodoparaná).
Esses são alguns dos segmentos econômicos que mais têm recorrido a empréstimos via instrumentos de mercado de capitais, como CRIs/CRAs e debêntures, tendo gestoras de FIDCs e securitizadoras com a maior parte dos passivos.
“Ficará mais vez mais comum termos esses veículos em recuperações judiciais e extrajudiciais”, disse Rafael Fonseca Nogueira, autor do estudo e chefe da área de recuperação de crédito da Chimera Capital.
Segundo profissionais do mercado, esse movimento é especialmente sensível considerando que a indústria de FIDCs vem se popularizando rapidamente.
Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) flexibilizou o arcabouço regulatório da indústria de fundos de investimentos, permitindo que certas classes de FIDCs pudessem ser oferecidos a investidores de varejo.
Com isso, a base de investidores em FIDCs cresceu 92% em 2025.
Contudo, alguns especialistas do setor notam que, simultaneamente, isso vem sendo visto como oportunidade para gestoras mais especializadas em recuperação de crédito.
“Isso sugere que a indústria não está só absorvendo o problema, ela está sendo usada para financiá-lo, selecioná-lo e, em alguns casos, arbitrá-lo”, disse Lucas Fleury, fundador da CPV Asset e fundador do Painel FIDC.
Recuperações judiciais: FIDCs mais atingidos



COTRIBÁ – Passivo R$ 1,4 bilhão







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