Desde que foi lançado, há um ano, o chamado Crédito do Trabalhador tem feito governo, tomadores e instituições financeiras sonharem. A expectativa inicial era de um mercado de centenas de bilhões de reais.
Porém, complexos problemas operacionais fizeram bancos e gestores de FIDCs começarem nesse nicho promissor em marcha lenta. Com os ajustes feitos pelo Dataprev, que gerencia o programa, agentes de mercado estão esquentando os motores para atuarem com mais profundidade no consignado privado.
“Demanda tem, funding tem. Acho que se a gente conseguir equalizar essas questões operacionais, incluindo garantias, isso tende a se estabilizar. Aí, sim, a gente entra num outro patamar”, disse Bárbara Munin, diretora comercial de crédito da Celcoin.
Vale prestar atenção no que ela diz. Executiva com mais de 20 anos de experiência no mercado de crédito, Bárbara vem acompanhando de perto a modalidade do consignado privado desde a gênese e viu gente mais afoita se queimar com os problemas das primeiras safras de crédito.
Segundo ela, problemas no trânsito entre empregadores, Dataprev e instituições financeiras resultaram em níveis de inadimplência de 18%, 20% ou ainda mais.
Não surpreende que o juro médio cobrado nessas linhas esteja acima de 6% ao mês, mais do que o dobro da taxa cobrada sobre outras linhas de consignado, como o INSS e de funcionários públicos.
Nessa entrevista, Bárbara conta como os problemas iniciais estão sendo corrigidos e como isso explica a corrida de bancos, gestoras de crédito privado e outras instituições do mercado por esse mercado multibilionário.
A executiva conta também como cada vez mais empresas estão se valendo de estruturas como FIDCs para terem seus próprios braços financeiros, para ampliar receitas, fortalecerem laços com fornecedores, clientes e empregados, além da oportunidade de fazer um melhor planejamento tributário.


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