Investidores donos de cerca de R$ 3,8 bilhões em debêntures e CRIs da Oncoclinicas estudam contratar o Houlihan Lokey como assessor financeiro e a Padis Advogados como representante legal para assessorá-los em meio à expectativa de possível reestruturação da dívida da companhia, disseram três fontes a par do assunto ao Crédito Privado 360.
Especializado em tratamento de câncer, hematologia e radioterapia, o Grupo Oncoclinicas adiou a divulgação do seu balanço anual para 9 de abril, de acordo com comunicado de 27 de março. Inicialmente, os dados seriam divulgados em 30 de março.
A empresa informou ainda que convocará assembleia geral extraordinária, após a divulgação das demonstrações financeiras auditadas e do parecer dos auditores independentes relativos ao exercício social de 2025, em data a ser definida.
Antes de adiar a divulgação, a empresa já havia solicitado a credores aval para adiar o pagamento de parcelas referentes a pagamentos e juros previstos nos próximos meses, de acordo com comunicados divulgados no início de março.
A empresa também pediu um waiver, ou seja, o consentimento para eventual descumprimento da cláusula contratual (covenant) que determina o cumprimento do índice financeiro dívida líquida/EBITDA de 3,5 vezes ao final de 2025, conforme fato relevante de 9 de março, quando Camille Faria era a CFO.
Em 15 de março, Camille renunciou ao cargo e Marcel Cecchi, membro do conselho de administração da empresa, assumiu interinamente a posição.
A empresa convocou assembleias gerais de debenturistas e dos detentores de CRIs para deliberar sobre o pedido de waiver. As assembleias da 9ª e da 11ª emissão de debêntures ocorrerão em segunda chamada no dia 2 de abril.
Debenturistas da 12ª emissão já aprovaram a prorrogação para 1 de junho do pagamento previsto para 16 de março, de acordo com a ata da assembleia da mesma data. Porém, a autorização só vale se a companhia não realizar pagamentos voluntários de dívidas financeiras durante o período de carência, que vai até 31 de maio.
Em meio às iniciativas para melhorar sua estrutura de capital, a Porto Saúde e a Oncoclínicas assinaram, em 13 de março, um memorando de entendimentos para um investimento de R$ 1 bilhão na companhia de oncologia, conforme fato relevante, confirmando matéria publicada no Brazil Journal.
Em 26 de março, em novo fato relevante, a Oncoclínicas confirmou a proposta do acionista Mak Capital Fund para um aporte de R$ 500 milhões. Isso depende da convocação de assembleia extraordinária para discutir sobre a situação da empresa, a eleição de novos membros para o conselho, incluindo o vice-presidente do órgão.
A situação financeira da companhia preocupa, observou Flavio Conde, head of research da Levante Ideias de Investimentos. A empresa tem um modelo de negócios e uma rede de consultórios, clínicas, hospital e laboratórios muito boa, que certamente é olhada por outros players do mercado, afirmou Conde.
Porém, a empresa engatou um crescimento acelerado, inicialmente com recursos do IPO, mas depois muito apoiado em dívida, o que elevou o endividamento para um nível preocupante, acrescentou.
No final do 3º trimestre de 2025, a Oncoclínicas tinha R$ 4,09 bilhões de dívida líquida e 4,2 vezes dívida líquida/EBITDA. Da dívida total de R$ 4,38 bilhões no final, os CRIs somavam R$ 1,52 bilhão e as debêntures, R$ 2,29 bilhões, ou mais de 86% do total.
Em novembro de 2025, a companhia anunciou a conclusão do aumento de capital de R$ 1,4 bilhão. Com isso, a alavancagem pro forma, após o aumento de capital, caiu para 3 vezes a dívida líquida/EBITDA.
O aumento de capital contou com grande adesão de debenturistas que aceitaram converter parte de sua dívida em ações, de acordo com uma fonte familiar. “Com isso, praticamente só tem credor [na Oncoclínicas] mesmo na ponta do equity”, observou a fonte.
A Opea, securitizadora dos CRIs da companhia, disse que não vai comentar o assunto. A Pentágono, agente fiduciária das debêntures, não respondeu e-mail solicitando comentários.
O Houlihan Lokey e a Padis Advogados também não responderam a pedidos de comentários.
(Edição de Aluísio Alves)


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