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Núclea: Empresa média no mercado de capitais passará por crédito privado

O acesso de empresas médias ao mercado de capitais no Brasil vai passar obrigatoriamente pelo maior uso de instrumentos de crédito privado.

A avaliação é de Rodrigo Furiato, vice-presidente de negócios da Núclea, uma das maiores infraestruturas de mercado financeiro do país.

“O grande interesse (do mercado) para esse perfil de empresa está muito mais ligado na dívida corporativa do que no próprio equity”, afirmou Furiato durante o podcast do Crédito Privado 360.

As declarações do executivo na esteira da emissão de R$ 2 milhões em notas comerciais da empresa de alimentos saudáveis e suplementos Mais Mu.

Primeira dentro do “Fácil”, regime que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançou mais cedo neste mês, por meio do qual empresas médias podem captar recursos de investidores com exigências regulatórias mais simples do que no mercado tradicional.

A captação foi feita por meio da BEE4, bolsa de valores focada em pequenas e médias empresas (PMEs) e que tem a Núclea como acionista majoritária.

Criada em 2022, a BEE4 tinha como principal objetivo listar ações de menor porte. Contudo, assim como aconteceu na B3, o ambiente macroeconômico mais hostil, tem limitado o apetite de empresas e investidores pelo mercado de ações.

A BEE4 ainda se saiui melhor. Desde seu surgimento, listou 4 empresas (Mais Mu, Eletron Energia, Plamev Pet e Clínica Engravida), enquanto a B3 caminha para o quinto ano seguido sem IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês).

Ainda assim, é um número minúsculo considerando o universo estimado pela Núclea em milhares de empresas com faturamento anual de R$ 500 milhões, o porte alvejado pelo Fácil.

De olho na expansão de instrumentos como notas comerciais, CRI/CRA e FIDCs, a BEE4 ajustou as velas e ajudou a própria CVM a construir um modelo em que o Fácil também pavimente o caminho das empresas para emissão de dívida.

Para Furiato, a mudança atende o interesse das empresas, avessas à ideia de vender parte do negócio num ambiente de juros altos, o que desvaloriza suas ações. Ao mesmo tempo, dá a potenciais investidores acesso a instrumentos de menor risco comparativo e que muitos deles já conhecem.

“E é um interesse dos dois lados”, disse ele.

‘Expectativas altíssimas’

Furiato evitou citar números, mas disse que várias operações de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs) devem acontecer no ambiente Fácil nos próximos meses na BEE4.

A escalada do mercado de capitais é uma das ambições da Núclea, antiga CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), que surgiu em 2001 para operar o Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Em 2022, passou de associação sem fins lucrativos para empresa, centralizando a liquidação de boletos, cartões e registros de recebíveis.

Agora, além do mercado de acesso para empresas médias, a Núclea também vem acompanhando de perto os ajustes regulatórios para entrada em vigor da duplicata escritural, sistema do Banco Central para centralizar o registro das duplicatas, um mercado estimado em mais de R$ 10 trilhões por ano.

Inicialmente prevista para entrar em vigor em caráter experimental já no começo deste ano, a inovação vai ficar para outubro ou novembro, antes de começar de forma definitiva, possivelmente em 2027.

Instituições do mercado têm apontado que o novo sistema deve facilitar o empacotamento de recebíveis por parte de gestoras de FIDCs, para então serem vendidos a investidores.

A expectativa é que a inovação corrija uma deficiência histórica do mercado de duplicatas: o risco de uma duplicata ser usada por lojistas mais de uma vez para antecipar recursos.

No entanto, mesmo os mais otimistas com o novo sistema – em que as duplicatas serão registradas num sistema unificado, com amplo acesso de consulta dos dados pelos participantes – admitem que a mudança não será tão rápida.

Por isso, desde o ano passado, o Banco Central vem fazendo ajustes na regulação, para permitir uma transição do modelo tradicional, por meio de boletos, para a duplicata eletrônica.

“O boleto ainda vai exercer um papel decisivo mesmo na normativa nova”, disse Furiato, “As expectativas são altíssimas”.

O modelo de transição, chamado boleto dinâmico , permitirá alterações de beneficiário ou banco sem reemissão, facilitando a antecipação de recebíveis e aumentando a segurança contra fraudes e permitindo pagamento via Pix.

Confira a entrevista completa do vice-presidente da Núclea no vídeo abaixo:

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