A Pentágono, agente fiduciária das emissões de debêntures da Raízen, está a caminho de contratar o escritório Felsberg Advogados e a assessora financeira Journey Capital para assessorar os detentores desses recebíveis no processo de recuperação extrajudicial da companhia, de acordo com três fontes próximas ao assunto.
A contratação das assessorias que atuarão na defesa judicial e/ou extrajudicial dos interesses dos debenturistas, tanto na RE como em eventuais procedimentos judiciais e/ou extrajudiciais dela decorrentes, será decidida pelos debenturistas em assembleias que serão realizadas entre os dias 7 e 10 de abril de 2026, de acordo com os editais publicados nesta semana.
De acordo com as três fontes ouvidas pelo Crédito Privado 360, tanto o Felsberg Advogados quanto a Journey Capital estão cotados para contratação, caso aprovados nas assembleias.
São os mesmos assessores já contratados pela Opea, principal securitizadora dos CRAs da Raízen, de acordo com comunicado de 13 de março. A proposta destes assessores não terá nenhum custo para os “crazistas” e a contratação será posteriormente ratificada em assembleia, segundo o comunicado.
Se aprovados, juntos, Felsberg e a Journey Capital deverão assessorar cerca de 100 mil investidores com créditos que estão sujeitos à recuperação extrajudicial da Raízen, sendo cerca de R$ 7,3 bilhões em CRAs e R$ 6,6 bilhões em debêntures, segundo uma das fontes próximas da negociação.
A RE prevê uma janela de até 90 dias para a empresa conseguir o apoio mínimo de credores necessário para que o plano seja homologado pela Justiça. A Companhia divulgou que já conta com apoio de cerca de 47% da dívida.
No caso dos CRAs, para levar o plano de recuperação adiante, a Raízen precisa contar com aprovação de pelo menos 1/3 dos detentores da dívida.
Assessores apostam em “conversa construtiva” com Raízen
Deve haver espaço para uma “conversa construtiva” da companhia com os credores privados locais, disse uma segunda fonte. “E assim precisa ser, para que os credores locais se habituem com esse processo,” acrescentou a pessoa, que pediu anonimato.
As conversas da Raízen com detentores de seus instrumentos de dívida local ainda não começaram. A participação ativa de representantes desse público tende a ajudá-los a obterem melhores condições para recuperação de crédito, na comparação com casos em que não houve contratação de assessores, disse a primeira fonte.
Uma participação mais abrangente de investidores pode facilitar a implementação da reestruturação da dívida, em particular porque há questões regulatórias no processo, acrescentou a primeira fonte.
O Felsberg já atuou de forma semelhante para a OPEA na RE das Casas Bahia e para a Pentágono nas recuperações judiciais da Rodovias do Tietê e da Americanas, disse a primeira fonte.
A Raízen, joint venture da petroleira britânica Shell com a holding brasileira de infraestrutura e energia Cosan, pediu recuperação extrajudicial em 10 de março, para reestruturar uma dívida bruta de R$ 65,14 bilhões.
A crise da Raízen, maior produtora mundial de açúcar e etanol de cana-de-açúcar, reflete a estratégia de expansão acelerada dos investimentos em biocombustíveis de segunda geração e novos negócios, o que elevou o endividamento da companhia num período adverso da economia global, com a manutenção de elevadas taxas de juros.
Na Safra 2025/2026, o prejuízo acumulado até o momento é de R$ 18,4 bilhões. Parte significativa desse prejuízo decorreu de ajustes em provisões contábeis, de acordo com a petição protocolada pela companhia.
O Felsberg Advogados, a Journey Capital e a Pentágono disseram que não vão se manifestar sobre o assunto.
(Com reportagem adicional e edição de Aluísio Alves)



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