A fintech de credit as a service (CaaS) UY3 está acelerando no consignado privado, categoria de crédito que tem atraído gestoras de FIDCs e atraído a atenção de investidores, no Brasil e no exterior.
“O consignado privado vai ganhar tração nos próximos meses”, disse Querandy Acosta, sócio-fundador da UY3, ao Crédito Privado 360, nos escritórios da companhia na capital paulista.
Querandy fundou a UY3 em 2021 junto com os irmãos Tabaré, Caracé, veteranos nos mercados financeiro e de tecnologia de uma família de origem uruguaia.
Desde então, a sociedade de crédito direto (SCD) aluga sua engrenagem tecnológica e regulatória para terceiros, incluindo bancos, fintechs e gestoras de FIDCs ofertarem serviços como financiamento de veículos e crédito estudantil. Essas frentes lideraram mais de R$ 15 bilhões em crédito em 2025.
Mais recentemente, porém, a principal aposta da UY3 passou a ser o consignado privado, o crédito com descontos em folha de pagamento para trabalhadores do setor privado.
Batizada de Crédito do Trabalhador, a modalidade tem avançado mais devagar do que pretendia o governo federal por ocasião do lançamento, há um ano. Segundo o Ministério do Trabalho, o montante superou R$ 100 bilhões no começo de 2026, o que se esperava fazer nos primeiros três meses.
Segundo profissionais do mercado, essa lentidão é explicada em parte por problemas operacionais envolvendo o trânsito de informações e garantias entre empregadores e Dataprev, empresa do governo responsável pela gerenciamento do programa.
Diante dos riscos maiores de não receber de volta o dinheiro dos empréstimos, os credores têm cobrado taxas de juros muito maiores do que de produtos similares para outras categorias.
Para efeito de comparação, enquanto a taxa média para o consignado do INSS e para servidores públicos gira ao redor de 24% ao ano, a do consignado privado é de 57%, segundo dados do Banco Central referentes a janeiro de 2026.
Para lidar com isso, uma ideia em discussão no âmbito do governo tem sido estabelecer uma taxa teto para o consignado privado, ao redor de 3% ao mês.
“Ter taxa teto antes de fazer os acertos vai ser difícil”, disse o executivo da UY3.
Segundo Querandy, no entanto, as dificuldades operacionais estão gradualmente sendo superadas, o que deve resultar em juros menores, consequentemente atraindo mais tomadores para o consignado privado.
Ele se mostra otimista, prevendo que, até o fim de 2026, a UY3 vai triplicar o ritmo atual no setor, passando a fazer cerca de R$ 1 bilhão mensais em consignado privado.
UY3: Investidores de olho
Mas a simples expectativa é de que os ativos do consignado privado cheguem a R$ 700 bilhões nos próximos quatro anos vem provocando intensa movimentação entre bancos, fintechs e em toda a cadeia de FIDCs, inclusive por parte de investidores institucionais.
No caso da UY3, isso significou receber duas rodadas de aportes. A primeira, de R$ 50 milhões, em junho de 2025, liderado pela NVA Capital e com participação da Vectis.
Cerca de seis meses depois, veio outra, de R$ 200 milhões, de fundos da Vinci Compass, uma das maiores gestoras independentes do País.
Segundo profissionais do mercado, a UY3 estaria negociando uma terceira rodada, ainda maior, com novos investidores.
Consultado a respeito, Querandy preferiu não comentar.
Não é o único caso. Concorrente da UY3, a QI Tech, uma das maiores estruturas de CaaS da América Latina, recebeu em julho passado a extensão de um aporte liderado pela General Atlantic, o que elevou o investimento total para US$ 313 milhões. A operação avaliou a QITech como um unicórnio, fintechs com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.



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