As duplicatas escriturais, que estreiam oficialmente no começo de 2026, vão ajudar a diminuir o índice de mortalidade das empresas no Brasil. A previsão é de João Vitor Possamai, CFO do portal de gestão para empresas pequenas e médias Asaas.
“Hoje não conseguimos reduzir a dor das empresas do jeito que a gente gostaria”, disse o executivo em entrevista à Investire. “Com as duplicatas escriturais, as taxas de aprovação (da antecipação de duplicatas) vão aumentar”, acrescentou ele.
Criada há 15 anos, a fintech catarinense tem cerca de 230 mil clentes ativos mensais e atende a maior parte delas com ferramentas de cobrança e emissão de notas fiscais. A companhia catarinense também é forte em antecipação de recebíveis: faz cerca de R$ 2 bilhões por ano.
Porém, quase todo esse montante acontece via operações de cartões de crédito, um mercado já mais transparente e maduro no Brasil. As duplicatas, por outro lado, representam menos de 1% das receitas da Asaas, algo inferior a R$ 20 milhões anualmente. Não faz mais por considerar esse mercado ainda muito arriscado.
Com o início do sistema eletrônico, no primeiro trimestre de 2026, as duplicatas terão de passar por uma registradora autorizada pelo Banco Central. Especialistas de crédito privado avaliam que isso dará maior transparência, reduzindo drasticamente o risco de fraudes e evitando que um duplicata possa ser usada como garantia para mais de uma operação.
Para Possamai, bancos e entidades do mercado de capitais oferecerão taxas de juros mais baixas na antecipação de duplicatas. De acordo com o Sebrae, falha na gestão de caixa e dé a principal causa mortis das empresas no país.
E, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20% das empresas criadas no Brasil não sobrevivem ao primeiro ano. A taxa de mortalidade sobe para 60% após cinco anos.
Segundo o executivo, só com o uso das ferramentas de gestão, as empresas da Asaas já têm um nível de mortalidade cerca de 35% menor do que a média nacional. Porém, ao terem linhas de crédito com taxas menores, as emissoras de duplicatas ainda podem melhorar.
Cartões versus duplicatas
Hoje, empresas que antecipam recursos dos recebíveis de cartões em geral conseguem taxas sensivelmente menores do que as que o fazem com duplicatas tradicionais.
Veja o caso na própria Asaas: enquanto uma antecipação com recebíveis do cartão sai com juro a partir de 1,25% ao mês, a de duplicata é de 5,79%, mais de quatro vezes superior.
“Quando vier a duplicata escritural, vai ser possível fazer a roda girar”, disse Possamai.
Os comentários do executivo ilustram como a expectativa da indústria financeira com as oportunidades que podem surgir quando as duplicatas, um mercado com movimento estimado em R$ 10 trilhões por ano, for totalmente eletrônico.
Nesse sentido, bancos, registradoras e a indústria de fundos de direitos creditórios (FDICs) estão se preparando para uma guinada no crédito do setor a partir do segundo semestre de 2026.
A própria Asaas se diz pronta para operar mais ativamente no setor.
“Nós poderemos inclusive comprar recebíveis originados por terceiros”, disse Possamai.
A fintech, com sede em Joinville (SC), tem uma receita anual de cerca de R$ 500 milhões e vê nas operações de crédito um dos motores para acelerar nos próximos anos. A expectativa para 2026 é de alcançar R$ 1 bilhão em faturamento.
Nessa direção, a Asaas levantou em agosto um FIDC, seu terceiro, de R$ 100 milhões, numa operação coordenada por Itaú BBA e Bradesco BBI para antecipar recebíveis de cartões de crédito.
Essa trajetória vem sendo abastecida também por recursos da indústria de capital de risco. No ano passado, a Assas recebeu um aporte série C de R$ 820 milhões liderado pelo Softbank e pela Bond Capital. #


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