Duplicata e crédito com lastro em previdência devem escalar em 2026, diz CEO da Núclea

A duplicata escritural e a previdência privada como garantia para financiamento devem ser dois gatilhos para expandir o crédito no Brasil. Porém, tanto bancos quanto para o mercado de capitais essas operações só devem ganhar tração na segunda metade de 2026, diz o diretor-presidente da provedora de infraestrutura de mercado Núclea, André Daré.

“Ainda devem levar alguns meses que os bancos e as entidades do mercado consigam montar os produtos”, disse Daré à Investire.

O comentário do executivo oferece uma perspectiva de avanço gradual sobre duas inovações regulatórias que vêm estimulando projeções animadoras para a cadeia de FIDCs, por exemplo.

O sistema de duplicata escritural regulado pelo Banco Central entra em vigor de forma escalonada no primeiro trimestre 2026. Mas só deve funcionar integralmente no ano seguinte. Então, todas as duplicatas deverão passar por uma registradora autorizada pelo BC, como a Núclea.

Um dos principais instrumentos de empresas médias e pequenas para antecipar recursos de recebíveis, as duplicatas movimentam cerca de R$ 10 trilhões por ano no Brasil. Porém, atualmente cerca de apenas 10% desses títulos emitidos são negociados no mercado.

O novo sistema, eletrônico e interligado, permitirá maior visibilidade desses documentos por todos os participantes do mercado, eliminando fraudes e aumentando a oferta de crédito para as empresas com juros menores, estimam especialistas.

Enquanto bancos e instituições do mercado desenvolvem seus produtos, as registradoras devem avançar no processo de interoperabilidade ao longo de 2026.

Crédito com garantia de previdência privada

Enquanto isso, o sistema financeiro também se prepara para uma atividade mais intensa no crédito que tem recursos da previdência privada aberta como garantia. Essa modalidade foi regulamentada em setembro de 2024 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).

Porém, até aqui, as instituições financeiras vêm ofertando essa modalidade mais para suas próprias bases de clientes. Agora, com a base de dados completa dos dados nas registradoras, os bancos passarão a ofertar crédito a clientes com previdência nos concorrentes, numa competição mais aberta.

Somados, produtos de previdência aberta, como PGBL e VGBL, seguros de vida com cláusula de sobrevivência e títulos de capitalização somam mais de R$ 1,7 trilhão, segundo dados mais recentes da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estima que 5% desse valor pode ser usado como garantia, o que hoe representaria cerca de R$ 85 bilhões.

Para essa modalidade, segundo Daré, cinco grandes bancos já têm acordo com a Núclea e já podem começar a oferecer crédito com garantia de previdência em novembro.

“Outros nove bancos estão em fase final de alinhamento”, disse Daré.

Assim como no caso das duplicatas, porém, a tendência é que o crédito mais amplo com garantia dos produtos de previdência aberta ganhe tração a partir do segundo semestre de 2026, disse ele.

Oportunidades para acelerar receitas

A Núclea tem no registro de ativos uma de suas importantes fontes de receita. E o crescimento do volume de registro potencializa a oferta para bancos e outras instituições, como seguradoras e gestoras de recursos, uma variedade de serviços, que vão desde dados até proteção contra fraudes.

A companhia até 2022 se chamava Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), e era a instituição sem fins lucrativos, controlada por bancos. Agora, como empresa, segue tendo instituições financeiras como principais sócias. Atualmente, são, 48 bancos, incluindo Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Caixa Econômica.

Com a transição nos últimos anos, a Núclea se transformou numa plataforma tecnológica que conecta instituições financeiras e empresas. Por meio dela, passam mais de R$ 18 trilhões por ano, em operações como liquidação de operações com cartão de crédito, registro de recebíveis de cartões e depositária de ativos financeiros.

Split de pagamentos em 2027

Enquanto monitora a expansão das novas modalidades de crédito, a Núclea já faz planos para o que vê como seu próximo motor de crescimento: o split de pagamentos.

O split (pagamento dividido) é um novo modelo de arrecadação de tributos, que está previsto na reforma tributária, para entrar em vigor de forma paulatina a partir de 2027.

Nesse sistema, quando um consumidor pagar por um produto ou serviço, a parte que corresponde a aos impostos já será direcionada direto para os governos, com o restante enviado para o vendedor.

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Debêntures puxam queda das emissões de mercado

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As emissões de instrumentos de mercado de capitais em 2025 até setembro no Brasil somaram R$ 630,9 bilhões, queda de 8% ante mesma etapa do ano anterior.

Por segmentos, os fundos de investimento imobiliário tiveram alta de 13,9% (R$ 68,8 bilhões em 2025, enquanto os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) avançaram 8,6% (R$ 97,9 bilhões).

Em conjunto, os ativos de renda fixa tiveram queda de de 3% nas emissões (R$ 525,2 bilhões), puxados sobretudo pelas debêntures.

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Fonte: CVM

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