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Consignado privado ganha tração e pode superar meta de R$ 120 bi, dizem especialistas

Estruturas de financiamento do consignado privado estão se multiplicando no mercado, após ajustes feitos pelo governo federal e não devem demorar muito para superar a expectativa do governo, de R$ 120 bilhões, segundo profissionais do mercado.

De bancos e médios a cooperativas de crédito, fintechs e demais instituições do mercado de capitais, o número de estruturas de financiamento vem se multiplicando nas últimas semanas. Segundo dados do Ministério da Fazenda, o número de entidades habilitadas a operar no consignado privado chegava a 99 até 17 de outubro.

Dados de mercado obtidos pela Investire apontavam Itaú Unibanco, Santander Brasil entre os líderes em volume financeiro, num claro sinal de maior apetite por este mercado, embora seus executivos sigam apontando necessidades de melhorias no sistema.

“Com as mudanças no FGTS, tende a ser maior do que isso”, disse a diretora comercial e de crédito da Celcoin, Bárbara Munin, durante o Uqbar Day 2025, na semana passada, sobre a expectativa de R$ 120 bilhões.

A partir de março, quando o governo anunciou as mudanças no modelo do consignado privado, os empréstimos tomados por trabalhadores do regime CLT passaram a poder oferecer como garantia até 10% do saldo do Fundo de Garantia e 100% da multa rescisória para obter crédito com taxas de juros mais baixas.

No entanto, incertezas em relação ao acesso a esses recursos, especialmente no trâmite entre Dataprev e Caixa Econômica Federal, mantiveram bancos e instituições do mercado de fora.

Quem saiu na frente, incluindo fintechs, em geral ofereceu para os tomadores taxas de juros muito acima das praticadas para outras linhas de consignado, como as voltadas para aposentados do INSS ou para funcionários públicos.

Modalidade Taxa média anual (em %)

Consignado INSS 24,1*

Consignado funcionário público 24,8

Consignado privado 56,3

Fonte: Banco Central. *Essa linha tem um teto de taxa de juros fixado pelo governo.

Taxas de juros ainda altas, mas com tendência de queda

As taxas de juros para trabalhadores privados, que já eram mais significativamente maiores do que as demais, ainda subiram na transição entre os modelos antigo atual, para a casa dos 4% a 4,5% mensais atualmente. Mas houve quem chegasse a cobrar 7% ao mês e até mais.

Segundo profissionais do mercado, esses níveis de juros refletiram os índices de inadimplência, que subiram de cerca de 2,5% no final de 2024, para até 8%, em meio a problemas operacionais com a Dataprev, e incertezas sobre estruturas de garantias, o que limita a capacidade de estimar perdas.

Porém, esses índices não refletem puramente calotes, mas problemas de sistema que muitas vezes dificultam para os gestores localizarem os pagamentos, esplicam profissionais do setor.

“Esses problemas vêm sendo corrigidos, diminuindo os riscos do sistema”, explicou Ricardo Binelli, sócio da Solis.

A Solis, aliás, é uma das mais recentes a entrarem no novo mercado de consignado privado. A gestora, uma maiores em FIDCs do país, está lançando sua carteira de R$ 100 milhões no setor, com perspectiva de atingir até R$ 500 milhões em 2026.

Segundo Binelli, o produto deve oferecer aos detentores de cotas seniores do fundo um rendimento equivalente a CDI + 3,5% ao ano. A carteira, contudo, incluirá operações de risco selecionado, de empresas com mais de 100 empregados e há mais tempo no mercado.

O anúncio chega semanas após diversos anúncios no segmento, incluindo o da Polígono Capital com a fintech Tudo no Bolso, que também vieram com um FIDC de R$ 100 milhões, já mirando no meio bilhão de reais nos próximos meses.

Uma das primeiras a entrar no setor após as mudanças do governo, a Angá Asset lançou em junho seu FIDC de R$ 750 milhões, em parceria com o Daycoval e a originadora Meutudo, especializada em consignado.

Simultaneamente, a imposição de limites do governo no saque-aniversário do FGTS, que vinha sendo uma das modalidades preferidas na estruturação de FIDCs, o mercado passou se mover na direção no novo consignado privado.

Com isso, a expectativa de especialistas é de que os montantes do consigando privado possam dobrar de tamanho no no começo de 2026. Atualmente, o estoque de consignado privado está em R$ 54 bilhões, segundo dados mais recentes do BC. A maior parte disso, no entanto (R$ 40 bilhões), é de operações tombadas, isto é, geradas no modelo antigo. As originações novas mesmo estão ao redor de R$ 15 bilhões.

Para efeito de comparação, o estoque de empréstimo com desconto em folha para servidores públicos está em R$ 381 bilhões, enquanto o de beneficários do INSS atingiu R$ 282 bilhões, ambos em agosto.


Entrevista

Brasil é lanterna em recuperação de crédito no private placement, diz Moody’s

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Investidores de private placement recuperam menos de R$ 0,20 de cada real emprestado quando a devedora entra em crise, afirmou a Moody’s em relatório da semana passada. Isso coloca o Brasil na rabeira do ranking de recuperação de crédito.

Segundo Lucas Viegas, vice-presidente e analista senior da Moody’s, isso reflete entre outros fatores as dificuldades como burocracia e litígios para credores receberem seus empréstimos quando as devedoras recorrem, por exemplo, à recuperação judicial.

“Como consequência, os credores exigem maiores garantias para cobrir os riscos”, disse ele à Investire.

O universo da pesquisa abrange apenas financiamento concedido por meio de operações estruturadas por meio de gestoras e fundos nacionais ou estrangeiros, mas que não passam pelo mercado de capitais. Por isso, são dispensadas de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Os desafios na execução de garantias e as taxas de recuperação de crédito baixas favorecem empresas tradicionais com ampla escala e experiência operacional”, afirmou a Moody’s.

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Fontes: Bank for International Settlements BIS), Banco Mundial e Moodys.

Os dados no gráfico expressam o valor recuperado pelos credores com garantias nos processos de reestruturação, liquidação ou execução da dívida.

Segundo Viegas, os dados mostram um longo caminho para as operações estruturadas no Brasil e na América Latina que, juntos, representam menos de 1% das transações globais desse mercado.

Apesar disso, avanços regulatórios e institucionais têm fomentado o segmento na região, atingindo US$ 14,9 bilhões em 2024, ante US$ 4,2 bilhões em dezembro de 2015. O Brasil responde por 70% dos ativos sob gestão da região. No mundo todo, esse mercado totalizava US$ 1,7 trilhão em 2024 e deve subir para US$ 3 trilhões em 2028, segundo a agência.

Aqui, esse movimento teve participação dos bancos. Movidos em parte pelo interesse de montar estruturas de consumam menos exigências de capital, BTG Pactual, Itaú, Bradesco e XP usaram suas gestoras para fomentar os empréstimos para infraestrutura e para os setores imobiliário e do agronegócio, ao lado de casas independentes, como JGP, Pátria, Vince Partners, Lumina Capital, Jive Mauá, e dos globais Mubadala, BlackRock, Pimco e Carlyle.

Preenchendo lacuna do mercado

À medida que o financiamento público é insuficiente e o capital privado tradicional enfrenta restrições regulatórias, o crédito estruturado está emergindo como uma fonte para o financiamento de infraestrutura, diz a Moody’s.

Esses investidores normalmente buscam posições seniores dentro da estrutura de capital, garantidas por ativos colateralizados e que têm prioridade para ressarcimento, mitigando o risco.

O private placement geralmente permite acesso a uma gama mais ampla de tipos de garantias, o que favorece empresas que muitas vezes não têm acesso ao financiamento de dívida convencional em razão do tamanho menor das operações ou porque o desenvolvimento de negócios está em estágio inicial.

O private placement é visto com certo ceticismo em muitas geografias por sua opacidade. Na América Latina, porém, ele está preenchendo espaços em segmentos que os mercados de capitais e os bancos não estão dispostos a financiar sozinhos.

O desafio para crescer mais é a necessidade de gestão de risco rigorosa, experiência dos gestores e os custos de estruturação caros de covenants, os tetos contratuais de endividamento que podem disparar a necessidade de pagamento antecipado.

Mola para o mercado de capitais?

Segundo Viegas, o crescimento do crédito estruturado, além de não competir com instrumentos oferecidos a investidores, como debêntures e FDICs, pode ampliar o chamado investimento não bancário, especialmente o direcionado para projetos de infraestrutura. Esse é outro segmento no qual o Brasil tem baixa participação relativa.

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Fonte: Moody’s

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