A próxima grande instituição financeira do Brasil será uma empresa de infraestrutura de mercado. A afirmação do fundador e CEO da Celcoin, Marcelo França, ilustra as ambições por trás do anúncio da aquisição da VERT, nesta terça-feira, por valor não revelado.
“E nós queremos ser essa gigante”, disse França em entrevista ao Crédito Privado 360.
De fintech a infraestrutura de mercado
Mais do que uma aquisição, a Celcoin, que nasceu em 2016 como uma fintech de terceirização de serviços financeiros (BaaS), vê a operação como um passo para consolidar diferentes elos da infraestrutura financeira.
A Celcoin já atua em pagamentos, banking e crédito. Com a VERT, passa a incorporar também uma presença relevante no mercado de capitais e no crédito estruturado, com cerca de R$ 1 bilhão em novas operações por mês.
O movimento ocorre na esteira de uma década de mudanças regulatórias que facilitaram a entrada de novos participantes no sistema financeiro brasileiro.
Nesse processo, várias das fintechs que ganharam escala em serviços mais essenciais, como abertura de contas de pagamento e cartões de crédito, vêm ampliando a oferta de soluções financeiras para pessoas e empresas, inclusive empréstimos.
A compra da VERT também reforça a aposta em uma frente que ganhou relevância no financiamento corporativo brasileiro: o crédito privado, que passou a oferecer às empresas alternativas ao crédito bancário tradicional por meio de instrumentos como FIDCs.
A própria Celcoin acelerou seu crescimento nos últimos anos ao atuar como uma espécie de esteira de operações de crédito, como consignado, que posteriormente podem ser estruturadas e transformadas em FIDCs.
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Uma infraestrutura de crédito de ponta a ponta
Com a integração das duas operações, a Celcoin mira desenvolver uma relação mais profunda com emissores de dívida, unindo capacidades que vão da infraestrutura tecnológica para serviços financeiros à originação, funding, securitização, administração fiduciária e gestão de fundos estruturados.
Isso, é claro, além de turbinar as receitas. Com a aquisição, a Celcoin prevê alcançar cerca de R$ 800 milhões de receita recorrente em 2026, crescimento de aproximadamente 90% em relação ao ano anterior
A combinação também amplia significativamente a base de clientes do grupo. A VERT possui cerca de 160 clientes, enquanto a Celcoin atende mais de 800 empresas. Para França, as estruturas são complementares e permitem ampliar a oferta de serviços sem necessariamente exigir que os clientes contratem toda a cadeia.
O movimento ocorre em um momento de maior sofisticação do mercado de crédito privado brasileiro, no qual diferentes participantes — bancos, fintechs, gestoras, securitizadoras e empresas — dependem de uma infraestrutura cada vez mais integrada para estruturar, distribuir e administrar operações.
Segundo França, no entanto, a estratégia é oferecer uma infraestrutura mais completa, mas de forma modular.
“Não queremos impor aos clientes”, afirma o executivo. Na prática, uma empresa poderá escolher quais etapas do processo pretende contratar, enquanto outras poderão utilizar uma parcela maior das soluções disponíveis no ecossistema.
Os próximos passos do plano de expansão já estão desenhados.
A Celcoin mantém uma estrutura dedicada de fusões e aquisições e, segundo França, continua avaliando novas oportunidades, especialmente entre empresas que atuam em segmentos complementares e ainda não conseguiram ganhar escala.
A Celcoin anunciou investimentos de R$ 500 milhões nos próximos três anos, dos quais R$ 200 milhões serão destinados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologia. O objetivo é dar escala à integração das duas operações e ampliar a infraestrutura oferecida a empresas, fundos e fintechs.
A estratégia, segundo França, vai além da expansão do portfólio. A ambição é ocupar uma posição central na infraestrutura que conecta diferentes participantes do sistema financeiro.
Queremos ser essa gigante, resume França.
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