Limite de crédito dentro de FIDCs: a aposta da BMP

Linha de crédito embarcada dentro de FIDC. Essa é a aposta da fintech BMP com seu Limite Especial, produto que passa a oferecer crédito rotativo diretamente no internet banking para empresas, em uma operação que pode ser financiada por fundos de recebíveis.

O produto ainda está em fase de homologação por parte do Banco Central.

A iniciativa, principal aposta comercial da BMP em 2026, busca atender a demanda de empresas que, além de antecipar recebíveis, precisam de recursos extras para capital de giro, explicou Suzana Alves, chefe comercial da BMP, durante podcast do Crédito Privado 360.

“O cliente passa a ter um limite pré-aprovado dentro da plataforma e pode contratar o crédito quando precisar”, disse ela.

O movimento ilustra como instituições financeiras vêm se reformulando constantemente no Brasil para lidar com um cenário em que as operações de crédito surgem cada vez mais do mercado de capitais e menos do setor bancário tradicional.

Criada em 1999 como CrediCarros, uma plataforma de financiamento de veículos, a companhia reposicionou seu modelo de negócios nos anos seguintes para atender à crescente demanda por infraestrutura bancária e tecnológica de fintechs e outras empresas interessadas em oferecer serviços financeiros.

Em 2021, adotou a marca BMP, tornando-se uma provedora de infraestrutura financeira (Banking as a Service), oferecendo desde contas, pagamentos e emissão de cartões até soluções de crédito, além de estruturar operações para FIDCs, securitizadoras e outros participantes do mercado de capitais.

Agora, além de oferecer infraestrutura tecnológica para que parceiros operem serviços financeiros, a BMP passa a integrar também a inteligência de crédito e a estrutura de funding das operações.

BMP
R$ 30 bi em crédito originado em 2025
mais de 1.200 parceiros

Essa evolução também acompanha uma mudança no perfil das empresas que passaram a originar crédito.

Mais do que buscar recursos para financiar suas próprias operações, companhias de diferentes setores vêm transformando o crédito em uma ferramenta para fortalecer o relacionamento com clientes, fornecedores e colaboradores.

A lógica é simples: empresas que conhecem profundamente o comportamento de seus públicos conseguem estruturar soluções financeiras mais aderentes às suas necessidades, criando novas fontes de receita e fidelização.

Como exemplo, a executiva citou o caso de uma grande varejista da região Norte do país atendido pela BMP, que começou oferecendo crédito para seus clientes.

Depois, a varejista ampliou esse portfólio para linhas de financiamento para compras, disponibiliza produtos voltados a diferentes públicos do seu ecossistema, incluindo clientes, fornecedores e funcionários.

“Ninguém conhece melhor o cliente do que a própria empresa que se relaciona com ele todos os dias. Essa proximidade permite desenvolver soluções muito mais adequadas à realidade de cada negócio”, afirma Suzana.

Para a executiva, esse movimento ajuda a explicar por que os FIDCs e outras estruturas do mercado de capitais vêm ganhando espaço como fonte de funding dessas operações.

À medida que empresas passam a oferecer um conjunto mais amplo de serviços financeiros, cresce também a demanda por investidores dispostos a financiar essas carteiras.

“Sec as a Service”

Outro movimento estratégico da companhia é o lançamento do chamado ‘Sec as a Service’, estrutura criada para empresas que desejam acessar o mercado de capitais sem precisar constituir um FIDC próprio.

Segundo Suzana, muitas operações ainda não possuem escala suficiente para suportar os custos de administradores, gestores, custodiante e demais participantes exigidos em um fundo estruturado.

A solução utiliza a securitizadora da própria BMP para permitir que originadores testem novas teses de crédito por meio de patrimônios segregados.

Caso a estratégia ganhe escala, a carteira pode posteriormente migrar para um FIDC tradicional.

Hoje, segundo a executiva, a estrutura já reúne aproximadamente R$ 500 milhões em operações sob custódia.

Duplicata escritural, a próxima fronteira

Entre as apostas para os próximos anos, Suzana cita a duplicata escritural como uma das principais transformações esperadas para o mercado brasileiro de crédito.

Ela acredita que o novo modelo deverá reduzir fraudes, aumentar a segurança jurídica das operações e facilitar a circulação dos direitos creditórios.

A BMP prepara a integração da duplicata escritural ao seu internet banking, permitindo que clientes utilizem esses ativos como garantia para obtenção de crédito diretamente dentro da plataforma.

Segundo a executiva, o maior desafio ainda será educar o mercado.

“Como toda inovação, ela exige um processo de evangelização para que empresas e investidores entendam seu funcionamento.”

Confira a entrevista completa em:

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