Diferente do que a intuição sugere para um ambiente macroeconômico adverso como o atual, a taxa de juros para empresas médias e pequenas está caindo. Pelo menos para aquelas que antecipam recebíveis via FIDCs.
É o que aponta um levantamento da Quick Soft, uma infraestrutura para antecipação de recebíveis de dezenas milhares de companhias pelo país. Segundo o estudo, a taxa de desconto praticada por FIDCs na compra de duplicatas, foi de 2,75% ao mês em abril, mantendo a tendência de declínio desde o fim de 2025, quando estava em cerca de 3%.
E a explicação para esse fenômeno é uma combinação de uso intenso de tecnologia com o corpo a corpo dos originadores de crédito com os empresários, algo que os grandes bancos não fazem.
“A capilaridade e o relacionamento fazem com que eles sejam muito competitivos o crédito”, disse o CEO da Quick Soft, Rodrigo Eddine, durante o podcast do Crédito Privado 360.
Essa tendência vai na contramão da alta verificada no período das taxas oferecidas pelo sistema bancário para antecipar recebíveis, segundo o Banco Central. Os dados não são totalmente comparáveis por causa das diferenças de amostra e perfil dos tomadores.
Além disso, outras linhas de crédito dos bancos para empresas tiveram queda nesse intervalo.
Ainda assim, o movimento ajuda a ilustrar como o mercado de capitais está gradualmente tomando dos bancos a liderança na concessão de crédito a empresas no Brasil, segundo dados do BC e da Anbima.
Como os FIDCs escolhem o melhor crédito
Segundo Eddine, o contato mais próximo com os empreendedores ajuda os gestores de FIDCs a escolherem com mais assertividade quais operações apresentam menores riscos de inadimplência.
Em certos casos, esse diagnóstico também incentiva a concessão de mais prazo. Essa, aliás, é outra tendência apontada pelo levantamento da Quick Soft. O prazo médio dos recebíveis antecipados pelos FDICs subiu de 48,5 para 51 dias entre março e abril.
Segundo o executivo, com a entrada em vigor do sistema de duplicatas escriturais, prevista para o fim de 2026, essa tendência de melhora no ambiente para antecipação de recebíveis deve melhorar.
Rumo ao trilhão
As declarações do executivo ilustram como instituições financeiras não bancárias estão se preparando para um ciclo de crescimento acelerado do crédito por meio de instrumentos como FIDCs.
Com sede em Santa Catarina, a Quick Soft opera com mais de 30 gestoras de antecipação de recebíveis, por meio da qual passam cerca de R$ 300 bilhões por ano em operações de cerca de 50 mil empresas.
Esse número vai crescer agora, após a compra da rival menor Finanblue, em maio.
“Nossa meta é, até 2030, atingir R$ 1 trilhão por ano”, disse Eddine.
Confira a entrevista completa com o CEO da Quick Soft a seguir:



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