Antecipação de recebíveis para bilheteria de shows e de direitos de transmissão da Copa do Mundo deste ano. Estes são alguns dos próximos alvos dos FIDCs (fundos de direitos creditórios da Ouro Preto Investimentos.
Foi o que revelou Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto, uma das maiores casas de FIDCs no país, no último podcast do Crédito Privado 360.
“A gente tem no radar shows, antecipação de bilheteria de futebol”, disse o executivo. “E estamos estudando direitos da Copa agora”, acrescentou.
As declarações ilustram como os FIDCs estão sendo usados para uma variedade crescente de operações para antecipar receitas, o que normalmente não aconteceria em operações bancárias tradicionais.
Com mais de R$ 15 bilhões sob gestão, a Ouro Preto tem sido uma das gestoras mais ousadas em testar novos modelos para FIDCs.
Em 2020, a casa foi a primeira a fazer um FIDC de antecipação de receitas de pay-per-view com o São Paulo Futebol Clube. Devido às medidas de isolamento para conter a pandemia da Covid-19, as receitas com transmissões esportivas cresceram, beneficiando o fundo.
“A sorte também ajuda, né?”, comentou Turaça.
No entanto, disse ele, a Ouro Preto tem uma abordagem conservadora em relação a operações menos conhecidas no mercado. Assim, a gestora começa com valores menores de captação.
Foi o caso, no ano passado, do FIDC NX Boats, que levantou R$ 50 milhões para financiar até 70% do valor de lanchas, com prazos de 48 meses.
Crescimento rápido, mas com cuidado
Conhecido entusiasta dos FIDCs, Turaça acredita que o patrimônio do setor, hoje na casa dos R$ 700 bilhões, pode chegar a R$ 1 trilhão ainda neste ano, à medida que novas possibilidades de antecipação de recebíveis se multiplicam por meio do instrumento.
Segundo ele, esse movimento reflete a tendência de o mercado de capitais assumir fatias cada vez maiores das novas operações de crédito, em especial aquelas em que os bancos têm menos apetite.
Além disso, ponderou, grandes empresas estão explorando oportunidades de obterem receitas adicionais com FIDCs.
É o caso do FIDC fornecedor, modalidade em que grandes conglomerados se valem do FIDC para antecipar recursos a fornecedores.
“Então, vai fazer porque sabe que não vai ter inadimplência, porque ele é o próprio pagador da operação, né? Então, em vez de ele passar essa operação para o banco, ele faz a operação do FIDC”, explicou Turaça.
Na entrevista, o executivo também alertou sobre os riscos de se utilizar o FIDC para planejamento tributário, defendeu a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na regulação do setor e revelou se a Ouro Preto tem planos de verticalização do negócio.
Confira a entrevista completa abaixo:



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