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Disparada do crédito privado no Brasil em 2025 traz otimismo e alerta

Sem muito alarde, o Brasil está atravessando em 2025 um virada econômica histórica, com os instrumentos de mercado de capitais pela primeira vez superando o crédito bancário como principal fonte de financiamento para empresas.

Essa travessia traz consigo a expectativa por uma economia mais dinâmica.

Ao mesmo tempo, contudo, pode estar alimentando distorções, com empresas de endividando demais e espalhando riscos no mercado, especialmente entre uma onda de investidores que não sabem muito bem o que estão comprando.

O bom

Para veteranos do mercado, assim como aconteceu em mercados desenvolvidos, a desintermediação bancária em curso no Brasil terá uma série de efeitos potenciais positivos.

Um deles é a pulverização dos recursos para um público mais amplo de empresas. Para efeito de comparação, uma companhia dificilmente consegue tomar recursos no mercado de ações com uma operação inferior a várias centenas de milhões.

Para debêntures e notas comerciais, esse valor cai sensivelmente. No caso dos fundos de direitos creditórios (FIDCs), não há um piso, mas profissionais do mercado calculam que uma operação a partir de R$ 50 milhões é suficiente para pagar os custos da operação.

Com melhoras regulatórias e legislativas nos últimos anos, esse processo finalmente engrenou.

Só as debêntures e os FIDCs responderam por mais de 60% dos R$ 855 bilhões levantados no mercado brasileiro de capitais nos últimos 12 meses até 19 de setembro, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Isso sem contar os cerca de R$ 100 bilhões levantados via instrumentos específicos para o agronegócio e o setor imobiliário, como CRI/CRA, Fiagros, etc.

Os FIDCs foram ocupando o espaço dos bancos, disse Vitor Bidetti, sócio da Integral Investimentos.

De fato, em junho os títulos privados atingiram R$ 2,2 trilhões, ou 16,7% do PIB, acima dos 16,6% do PIB, do valor equivalente aos empréstimos concendidos pelos bancos às empresas. Ainda assim, os fundos de recebíveis representa cerca de 8% do mercado de crédito privado doméstico segundo dados da Anbima e Banco Central, enquanto em mercados desenvolvidos o setor chega a representar mais de 30% do crédito privado.

Outro benefício potencial é o aumento da eficiência da economia. Sem as amarras do sistema financeiro (impostos, Índice de Basileia, alta inadimplência, baixa concorrência), os recursos do mercado de capitais chegam às empresas com juros competitivos.

O menor serviço da dívida alivia o caixa das empresas, permitindo que elas atravessem ciclos econômicos com menos sobressaltos. Na outra ponta, os produtos de investimentos derivados desses recebíveis chegam com taxas atraentes para o mercado, garantindo a demanda. Com isso, o número de contas de investidores em FIDC mais do que triplicou em 12 meses até julho, segundo a Anbima, para 267 mil.

Segundo especialistas do mercado, isso ajuda a explicar em parte porque a economia brasileira está mantendo um nível de atividade forte, mesmo com a taxa básica de juros (Selic) em 15%, o maior nível em quase 20 anos, ao contrário do que previa o próprio BC no começo de 2025.

“Tem uma liquidez absurda no mercado”, disse Décio Bapttista dos Santos, sócio fundador da Liberum, agência de ratings especializada em crédito privado.

O melhor

Para veteranos do mercado de capitais, uma nova onda de crédito privado deve vir nos próximos anos com as seguintes evoluções:

  • Implementação do Regime Fácil (Previsto para 2026) – Deve simplificar a emissão de dívida para empresas de menor porte, reduzindo exigências burocráticas e custos de estruturação.
  • Duplicatas escriturais – O sistema integrado e digital, supervisionado pelo Banco Central em 2025 para substituir as duplicatas de papel, garantindo maior segurança jurídica, aumentar a transparência e a rastreabilidade nas operações de crédito a prazo de empresas, combatendo fraudes.
  • Integração das registradoras de recebíveis. Com a Resolução 4.734 do Banco Central, de 2021, surgiu um sistema integrado de registradoras de recebíveis
  • Novas plataformas digitais, como SL Tools, AmFi e Bee4, estão modernizando a originação e a conexão direta entre emissoras e investidores.

O alerta

Se por um lado essas inovações microeconômicas têm ajudado a corrigir deficiências históricas do país, como o baixo fluxo de recursos para pequenos negócios, por outro cria pontos de atenção.

Segundo o próprio executivo da Liberum, a rentabilidade sedutora dos produtos de crédito privado têm atraído para a ponta compradora uma onda de novos investidores, especialmente de varejo. Muitos deles, porém, não têm familiaridade com esses instrumentos, e acabam correndo riscos que não conhecem.

“Muitos só querem saber da taxa”, disse Santos.

De fato, uma pesquisa da Investire em alguns dos principais portais de investimentos no país mostra FIDCs com rentabilidade acumulada de 14,4% a 17% anuais nos últimos 12 meses, o que os colocam em níveis competitivos em relação a outras classes de produtos.

O movimento é agravado em parte pelo fato de muitos dos próprios agentes de distribuição desconhecerem características dos produtos de crédito privado.

Por ora, a demanda aquecida vem permitindo mesmo que emissores captem recursos novos a taxas que não refletem adequadamente os riscos das operações.

Consequentemente, mais empresas estão aumentando a alavancagem, o endividamento, para níveis que o Banco Central já considera elevado. Ou seja, o meio privado fica mais exposto a um eventual piora das condições econômicas.

Casos polêmicos dos últimos anos, como os da Light, provaram a resilência do instrumento, mas também acenderam um alerta para mercados de crescimento muito rápido.

O receio é que, apesar de toda a estrutura de proteção para absorver perdas, como as que existem nos FIDCs, investidores possam enfrentar revezes não esperados.

E como os novos instrumentos são mais complexos e demandam um monitoramento contínuo, os investidores deveriam buscar gestores com um histórico mais sólido de atuação no setor, disse Bidetti, da Integral.


Agenda do mercado

16/10/2025 – uqbar day – Casa Traffô – São Paulo

23/10/2025 – 8° Encontro Nacional ANFIDC 2025 – 13:00 às 18:30 – Hotel Unique – São Paulo

Ações de rating da semana 15 a 18/9

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Fonte: Itaú, com dados de Fitch, Moody’s e S&P

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