EXCLUSIVO-BNDES pode retomar protagonismo em governo Lula 4, diz fonte

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode ampliar seu protagonismo no financiamento de investimentos em setores estratégicos da economia no próximo governo Lula, segundo uma fonte familiarizada com os assuntos da instituição ouvida pelo Crédito Privado 360.

“O banco tem condições de exercer maior protagonismo”, afirmou a fonte, sob condição de anonimato.

Entre as áreas que podem receber mais recursos estão terras raras, mineração e fertilizantes.

O banco de fomento também estuda formas de estimular o mercado de crédito privado, inclusive por meio de uma participação maior em veículos como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e outros instrumentos de mercado de capitais, acrescentou.

“O governo tem que resolver seu problema fiscal e não tem condições de investimento, enquanto o banco está bem capitalizado”, disse a fonte.

“O BNDES agora tem a tríplice coroa”, afirmou, em referência aos indicadores de lucro, capitalização e inadimplência da instituição.

Presidido por Aloizio Mercadante desde 2023, o BNDES registrou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025.

A inadimplência acima de 90 dias era de 0,05% no fim de junho, ante 4,68% na média do sistema financeiro. Já o Índice de Basileia atingiu 25,4%, avanço de 0,2 ponto percentual em 12 meses e patamar bem superior ao mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central.

Um protagonismo diferente

A eventual ampliação da atuação do BNDES, porém, não deve reproduzir o modelo adotado em governos petistas anteriores, quando o banco recebeu recursos do Tesouro Nacional para conceder empréstimos subsidiados a grandes empresas e setores considerados prioritários.

“Não vai ter subsídio”, afirmou a fonte.

O papel do BNDES como indutor dos investimentos tornou-se alvo de controvérsia no país durante os mandatos anteriores do PT, quando o Tesouro transferiu recursos à instituição para ampliar a oferta de crédito em condições favorecidas.

Entre 2009, no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, e 2015, no segundo mandato de Dilma Rousseff, os desembolsos anuais do banco cresceram rapidamente, passando de cerca de R$ 60 bilhões para quase R$ 200 bilhões.

Nos anos seguintes, diante do agravamento da situação fiscal e de perdas associadas a operações com empresas como Odebrecht e JBS, o governo reduziu os repasses e o volume de desembolsos recuou, voltando a níveis próximos aos observados no início do período analisado até 2021.

As perdas citadas incluíram R$ 14,6 bilhões em operações relacionadas à Odebrecht e R$ 711 milhões à JBS.

Desde 2022, o volume de concessões voltou a crescer, mas sob uma orientação diferente, marcada pela ausência de subsídios e pela exigência de garantias mais robustas.

Consultado, o BNDES não respondeu a um pedido de comentário até a públicação dessa reportagem.


Nossa Newsletter

Deixe um comentário

Saiba+

O Crédito Privado 360 é o hub de conhecimento, relacionamento e negócios que reúne os diversos elos da cadeia de crédito privado no Brasil – empresas, bancos, gestoras de fundos, securitizadoras, escritórios de advocacia, originadoras e todos mais.
Os catalisadores desse movimento são a produção de insights e informações críticos para o mercado & a construção de uma comunidade dinâmica e próspera.

Conecte-se com a gente