A taxa média de desconto praticada pelos fundos de recebíveis (FIDCs) na compra de direitos creditórios, como duplicatas, chegou a 2,81% mensais em março, seguindo uma tendencia de queda dos últimos meses. Em dezembro de 2025, esse indicador estava mais próximo de 3% ao mês.
Os dados são de um levantamento realizado a partir da análise de mais de 12 milhões de operações realizado pela Quick Soft, empresa de tecnologia especializada em antecipação de recebíveis.
Se por um lado essa tendência indica que o juro pago pelos tomadores para antecipar recursos vem diminuindo, na outra ponta os investidores podem estar aceitando rentabilidade menor para ingressar nos fundos.
Segundo profissionais do setor, esse tendência pode acompanhar a busca dos investidores por produtos com uma base mais pulverizada de emissores.
“É diferente, por exemplo, de uma debênture, em que o crédito fica depedente de um único nome”, disse o sócio-fundador da gestora Ouro Preto, Leandro Turaça.
Dinheiro sai de debêntures, flui para FIDCs
O estudo também aponta que o prazo médio dos recebíveis que integram as carteiras dos FIDCs ficou praticamente estável, com 48 dias – ante 47,8 dias em fevereiro.
Segundo o CEO da Quick Soft, Rodrigo Eddine, a redução do deságio reflete o movimento de redução da Selic. Em março, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano.
“O movimento mostra maior competitividade entre os financiadores”, afirmou Eddine.
Esse declínio vem na esteira de um crescente ingresso de recursos nos fundos de recebíveis, à medida que investidores procuram diversificar seus recursos, num momento de instabilidade em outros ativos de crédito privado, como CRIs/CRAs e debêntures.
Segundo dados da Anbima, o número de contas de investidores em FIDCs cresceu 92,5% em 2025. Ainda segundo a entidade, em janeiro, as ofertas de FIDCs registraram um recorde, com R$ 7 bilhões, valor quase 99% superior ao de igual período de 2025.
Enquanto isso, os fundos de crédito privado registraram resgates líquidos de R$ 12,3 bilhões entre 20 de março a 6 de abril, na esteira dos pedidos de recuperação extrajudicial de GPA e Raízen, além do pedido de proteção contra credores da Oncoclínicas.


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